22 de outubro de 2007

PECHO EN LLAMAS

Para los amigos de Espanha, aqui fica a capa da edição espanhola de SEGURA-TE AO MEU PEITO EM CHAMAS.
A apresentação será feita em Madrid a 13 de Novembro (no decurso de um grande evento literário organizado pela Embaixada de Portugal) e a 14 em Zaragoza.
Para os portugueses que não leram e que o queiram fazer na nossa língua, basta procurar nas zonas mais escuras das grandes livrarias, no sítio dos escritores que não apresentam coisa nenhuma, ou, no caso da Fnac, esgaravantando na prateleira da letra "C" (normalmente estão escondidos por detrás do COELHO, Paulo). Ou comprar via net, de qualquer livraria online



HER(M)ITAGE

Em homenagem à nossa ministra resolvi ir visitar o Hermitage de Amsterdão que lhe serve de referência. 7 euros depois (mais 2 por um café e 4 (quatro) por uma fatia ranhosa de bolo de maçã) fiquei elucidado (ah! e mais 1 euro para o cacifo obrigatório).
A média de idades rondava os 120 anos, descontando a minha e a de duas crianças de olhar esgazeado, arrastadas pelos pais.
Resumindo: trata-se de uma colecção de objectos, a maioria "caseiros", digamos assim, feitos no início do século XX. Arte Nova, quase tudo. Do tédio de ver cadeiras artisticamente trabalhadas, à excitação de observar pregadeiras de peito (a quem o nome mais comum faria justiça), foi do dinheiro mais mal dado da minha vida.
Mas percebi a razão de se ir estourar mais de um milhão de euros para ter coisas daquelas cá, ao ler o Destak de hoje (700.000 leitores, dizem eles, quem quiser que acredite. Deparei com uma entrevista a Isabel Pires de Lima. Igual a si própria. E por incrível que pareça, ela quer mesmo atrair a 3a idade. Alguém lhe deve ter dito que isto da velharia é que dava dinheiro. Provavelmente o colega das Finanças. E vá de gastar o erário público e os escassos mecenatos obtidos naquilo.
Já agora propunha-lhe uma exposição internacional de andarilhos. Ou um congresso de Viagra com bailarinas vestidas com bananas à moda de 1920.
Da entrevista percebe-se 2 coisas: a senhora está a fazer tudo para agradar ao nosso primeiro-engenheiro, para que este, na sua teimosia a mantenha até ao fim do mandato.
Há um lado bom nisto de promover cultura para a 3a idade: é que eu, quando leio estes dislates, fico com a cabeça cheia de cabelos brancos.A segunda, ela e a sua equipa acreditam que a cultura de um país se faz sem os criadores vivos.
Daqui a apreciar o pastelão do Hermitage é um passinho.

19 de outubro de 2007

OLHAR DE FORA PARA DENTRO

De passagem por Amsterdao, olhando as folhas vermelhas e amarelas que caem na relva, penso na diferenca das coisas.
Os holandeses nao sao um povo pr'a' frentex, como se gosta de imaginar. Pelo contrario, uma parte da populacao 'e bastante conservadora. A diferenca para o pais onde regressarei dentro de 2 dias consiste em que os valores pessoais nao se sobrepoem aos dos outros. Isto 'e, nao se tenta impingir a moral caseira ao vizinho. Nao preciso de aprovar o tipo que consome marijuana no cafe', ou que haja uma multidao de malucos que prefere pedalar a engordar ao volante de um carro. Basta que os deixe fumar em sitios em que nao me chateiem e que construa pistas para ciclistas.
Seria tudo tao mais facil se houvesse menos gente a dizer aos outros o que fazer ou sentir...

ps: nao acho acentos nem cedilhas e muito menos os tils.

15 de outubro de 2007

LEIS E ESTATUTOS DO ARTISTA

A confusão continua. Perante um gabinete ministerial a transbordar de preguiça e ignorância, só resta chamar a atenção para os erros mais crassos.
Vejam esta petição online. Que não servirá para nada, como não serviu nenhuma até hoje, uma vez que a nossa democracia parlamentar é tudo menos representativa, mas que não invalida a sua pertinência.

Ao olhar para as propostas de orçamento para a cultura e para os projectos sub-santanais a que o ministério se propõe, só o desalento me assola.
Os portugueses que vêem a cultura como um bem de primeira necessidade sentem-se como os brasileiros se sentiram com Lula: comidos e sem alternativa.

13 de outubro de 2007

FÁTIMA, FADO E FUTEBOL

Gosto tanto da RTP. Usando apenas alguns milhares de funcionários e umas centenas de milhões de euros por ano, consegue dar-nos a toda a hora futebol, fado (na rtp memória - tanta amnésia que para aí ataca, logo ali...) e agora fátima. Foi bonito ver como a filha da comadre Felgueiras dizia com certeza, que se comemoravam 70 anos "sobre o dia em que o sol rodou". Se isto não justifica um orçamento anual superior ao do Ministério da Cultura, não sei o que justifique...



Ps: Durante a sua performance, o cardeal que veio representar o Vaticano mostrou-se muito audacioso. Quiçá, temerário:
"Face a tais pretensões, o mínimo que podemos fazer é rebelar-nos com a mesma audácia dos Apóstolos perante idêntica pretensão dos senhores daquele tempo: 'Não podemos calar o que vimos e ouvimos'", disse o Secretário de Estado do Vaticano, perante milhares de peregrinos hoje presentes no Santuário de Fátima."

Ora, até que enfim que o Vaticano vai revelar os milhares de casos de abuso acontecidos com os menores à sua guarda.
A PRAGA

Uma praga de mosquitos atacou a Madeira. Apareceram de repente e andam a deixar muitas pessoas malucas, a coçarem-se por todo lado.
O amigo Alberto João tem a certeza que foi o Sócrates quem lançou o flagelo. E para corroborar isto, o secretário regional da saúde já veio afirmar que a coisa veio para ficar. Que é melhor os madeirenses "habituarem-se".

AI, AS BOAS MANEIRAS...

Olhando para baixo, vejo que às vezes sou um bocado malcriado nos posts.
Num país em que nada se diz, tudo se sussurra e onde se deve sempre cumprimentar os que se desprezam, não é lá muito esperto.
Quando era miúdo cheguei a levar uns safanões de outros putos por causa da mania da franqueza. Parece que não me serviram de nada.
Assim, nunca mais chego a um bom tacho.
Desculpa lá, mãe!

11 de outubro de 2007

PRÉMIO ESTULTÍCIA (dicionário...)

de hoje, vai para o Partido Comunista que propõe como desígnio prioritário para o Orçamento de Estado do próximo ano, o aumento de salários da administração pública.
Não fala em aumento de produtividade, reajustamento do pessoal em excesso, apenas defende que a parte mais privilegiada em termos de direitos ganhe mais. Para consumir mais. Curioso, vindo de um partido que apela à igualdade.
Uns aspiram a viver o sonho de 1974, no que ele tem de interpelação livre do mundo. Outros pretendem manter Portugal na incoerência de 1975. Nem que seja para manter os tachos que guardam há 30 anos.

ps: interessante, na mesma linha, o trabalho de terror que os sindicados de professores, nomeadamente o da zona centro, anda a fazer nas escolas. Consta que no seu afã de ódio com a ministra (ou, mais provavelmente, por razões de origem deste, com o secretário de estado) têm promovido o "esclarecimento" dos docentes, dizendo-lhes que as avaliações os vão mandar para o despedimento. E acrescentam, sem direito a subsídio de desemprego. Não conheço este diploma mítico, nem tenho qualquer apreço pela dupla ministerial, mas tresanda-me a pouca vergonha e aldrabice destes sindicalistas. Eles sim estão aflitos, porque se os professores abrem os olhos, são eles quem tem de começar a trabalhar, em vez de arrastarem o cu, a fumar de converseta em converseta.
Como diria alguém, este país já não dá vontade de rir, mas de chorar.

10 de outubro de 2007

SEX TAPES DESESPERADAS

Descobri no blogue das PF (via Jorge V. Nande, a quem se pode chamar sem medo, o batedor índio da net, no que toca a séries, filmes e por aí fora), este vídeo da Eva Longoria e do marido a gozarem com as gravações "secretas" que circulam na net.
A ideia é gira.

ONDE PÁRA... O IMPOSTO ÁUDIO-VISUAL (sic, como no recibo da edp)?

O José Rodrigues dos Santos tirou uns bocadinhos à escrita das suas histórias para dar entrevistas "polémicas". Como os mass merdia gostam. No caso, para revelar uma coisa em que ninguém tinha ouvido falar: o conselho de administração da rpt interfere com a redacção de formas ínvias.
Parece que não gostaram que um tipo que ganha cem vezes o sálario mínimo nacional tirasse os dedos da peneira com que se tapavam. Chatearam-se não por ser mentira, mas porque um tipo que ganha tanto como eles fez barulho. Deveria fazer como os outros milhares de inúteis e ficar caladinho. Sob pena de ver diminuído o valor do tacho.
Acontece que o pivô-escritor vive um momento em que acredita não precisar da RTP. Que a venda dos seus livros o manterá de boa saúde financeira para sempre. Que continuará a interessar os mesmos milhares de leitores ad aeternum. Daí que se tenha dado ao luxo da verdade.
Na verdade, esta polémica faz lembrar uma briga numa casa de putas: quando se zangam, batem todas no peito e dizem que sim senhor, gostam muito de levar na anilha desde que lhes paguem. Mas cada uma reclama ser a mais asseadinha do prostíbulo.

6 de outubro de 2007

7 DE OUTUBRO OU HOUVE UM TEMPO DE COISAS MAIS SIMPLES

No aniversário de um amigo desaparecido, uma oferta que nunca verá.
Mas ainda assim.As coisas são.

"Enquete"

Chegou ao fim o inquérito do blogue sobre "o que faria andar Portugal". Ao contrário do que eu pensava não ganhou "uma bomba", mas sim, "o esforço individual dos portugueses" (63%).
Agradeço as participações optimistas.

3 de outubro de 2007

remar, remar... remar sempre
as águas estão agitadas, turvas, o céu tempestuoso... mas o vento na cara diz-nos que estamos vivos. por agora. por uns anos, cada vez mais breves. para sempre, se aceitarmos a importância do rio.
remar, remar...
INTERMITÊNCIA

Ontem não escrevi no blogue, hoje escrevo... Amanhã não escrevo, no outro dia, sim...
Deve ser por isso que me incluo entre os intermitentes...
Ah, não!
Ser intermitente é pagar impostos e não ter direito a fundo de desemprego, subsídio de doença, de maternidade, férias, etc, etc... É trabalhar sem horários e por vocação e não ser reconhecido pelo Estado. É dar o seu melhor e recusar levar a criatividade para outro país e ser tratado como um cão.
É isso. Afinal sempre sou intermitente, tal como os carpinteiros de cena, os técnicos de som, de iluminação, os actores...

30 de setembro de 2007

AFINAL ESTÁ TUDO CERTO!

Andava eu preocupado para quê?! A Maia escreveu que para o meu signo a carta da semana é a "Estrela". Parece que vai ser sempre a abrir na estrada da sorte!
Quero lá saber dos sinais com que me ameaçam se for a mais de 50 km por hora! Uma premonição avalizada é outra coisa.

VRRRRUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMmmmmmmmmmmmmmm


28 de setembro de 2007




BURMA

Um sms da Finlândia alerta-me para a ideia de toda a gente sair hoje à rua com uma t-shirt vermelha para mostrar a solidariedade com as populações da Birmânia na sua luta contra o regime. Não sou muito dado a esse tipo de manifestações, mas tenho de ir à rua, vou levar t-shirt, e uma dela (passada a ferro...) é vermelha. E sim estou com os monges e com o fim dessa ditadura que mantém em casa uma prémio Nobel da paz, legitimamente eleita como presidente.

27 de setembro de 2007

NOTÍCIAS DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Chega-me por e-mail a seguinte notícia:
"Foi agora notícia a aprovação na Assembleia da República de uma nova versão do estatuto dos deputados em que foi introduzida a novidade de cada deputado passar a dispor de " assistente individual".
Importa recordar, para que não se pense que os senhores deputados andam por lá a tirar as fotocópias de que precisem ou a meter no correio as cartas que decidam enviar, que os deputados têm à sua disposição, para aquilo que precisarem, o secretariado dos seus grupos parlamentares, com os respectivos assessores e técnicos, e que podem também recorrer aos serviços de apoio técnico da assembleia, constituídos por funcionários do quadro da Assembleia da República. Muita gente, e bem paga. A inovação do " assistente individual ", que acrescerá a tudo isso, representa portanto o abrir de uma porta para resolver os problemas de desemprego de uma multidão de jovens apaniguados e parentes que se acotovelam nas sedes partidárias e andam insistentemente a moer a cabeça aos venerandos parlamentares.
É a questão do desemprego das segundas e terceiras filas da classe política, um dos dados mais relevantes para entender certos projectos que ciclicamente surgem na ribalta. (...) Lembramos que para além de honorários e prebendas próprias do exercício do cargo esses " assistentes individuais" entram logo para o quadro da função pública (...)são 230 de cada vez..."

Interessante.

BIRMÂNIA

Pois. Era o que se esperava. A táctica de correr à bala os que protestam resulta desde 1960, naquele país. Pensam os ditadores e muito bem, "por que deveria ser diferente, desta vez?"
O Daniel tem razão, é pena não ter petróleo ou diamantes ou assim. Nesse caso, as nações-farol do tempo que vivemos já teriam enviado para lá tropas, canhões e o diabo-a-quatro. Agora quem é que quer saber de um povo milenar enfiado quase no meio da selva?
E sobre a posição da China, é interessante ler isto.

ps: o idiota do embaixador português na Tailândia, que deve ser a mesma criatura dos tempos do tsunami, parece que no meio dos seus períodos abundantes de férias, mandou dizer que "não há portugueses a residir na Birmânia", e no seu esforço de informação (uma canseira) "não sabe se há turistas". Admirava-me era que soubesse alguma coisa...

26 de setembro de 2007

MASS ME(R)DIA

Ainda me lembro do tempo em que os jornalistas portugueses se interessavam pelas coisas relevantes que aconteciam. Agora, só querem saber da "POLÉMICA!!!!!". Aquilo que não tendo interesse nenhum poderia servir numa conversa de comadres. O jornalismo actual português não é nada. Não significa nada. Não tem qualquer valor.
Dá de comer a muita gente. Mas nisso não há diferença entre o excesso de pessoal de uma autarquia e a prática desta profissão: a manutenção dos seus postos de trabalho é apenas uma questão social.
O resto é irrelevante.

25 de setembro de 2007

R.N.E.S. (Rede Não Estás Sozinho)

O A. Jorge Gonçalves (que tem um novo site de visita mais do que recomendável) passou à frente esta informação de emprego. Pode ser que sirva a algum intermitente.



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24 de setembro de 2007

COISAS MAIS IMPORTANTES...

estão a acontecer do outro lado do mundo. A eterna junta militar que mantém a Birmânia debaixo do seu jugo há muito tempo está a ser confrontada com a maior manifestação de protesto, de sempre. Aos milhares de monges juntou-se a população. Até ao momento em que escrevo ainda não foi aberto fogo sobre os manifestantes, nem há prisões. Vamos ver no que dá. Quando a China se defrontou com Tianamen (já vou ver como é que se escreve) também parecia que as coisas iriam mudar. Afinal, a ditadura continua lá. Só que com mais dinheiro, o que não nos descansa.
Voltando à Birmânia, esperemos que seja desta vez que a presidente eleita há 17 anos e em prisão domiciliária, seja libertada.
Mais informação aqui.

O PROBLEMA FLUVIAL

Antes, tinha no sítio deste post, um outro, em que mostrava a minha surpresa com a escolha do título RIO DAS FLORES, por parte da minha editora, para o novo livro de Miguel Sousa Tavares. Um rio, ainda que da Glória, por ano, deveria ser suficiente...
Retirei-o.
Para quê fazer chover no molhado?

22 de setembro de 2007

DIA EUROPEU SEM CARROS

Agora que já vai longe o tempo em que a criatura de cabelo lambido por um cão (Gucci), conhecida por Santana Lopes declarou este dia como "uma palhaçada", ele voltou.
Lisboa,entre outras cidades, fica um dia com menos trânsito, menos poluição sonora e atmosférica.
Há muitas alternativas urbanas aos carros poluentes. A Segway por exemplo.
Este é o modelo que se usa nas cidades europeias:



Mas eu aconselharia para Lisboa, este. Tem mais a ver com as condições do terreno...

20 de setembro de 2007

UM LINK

Por distracção minha, não tinha dado pelo blogue dos booktailors. Para quem se interessa pela edição e pelos seus meandros, é o sítio ideal para visitar (também indicam alguns empregos na área).

ps: Ver de perto a história da Bertrand que depois de andar anos a abrir lojas, não pagando às editoras, decidiu agora pedir descontos, ao que parece, absurdos. Eu, como tenho os meus livros (dignamente acompanhados por outros literariamente mais importantes) no fundinho das lojas, já desisti há muito tempo de lá comprar alguma coisa. Embora, as permanentes e fascinantes conversas telefónicas das empregadas para as famílias e amigos justifiquem a deslocação...
REDE

Embora esteja nos comentários, destaco a pista que nos enviou o Jorge V.N. AQUI e AQUI.

E respondendo à Olinda, basta fazer chegar aqui a informação de um link ou de um trabalho de que se ouviu falar. Pistas que possam ajudar alguém a melhorar esta ridícula pobreza envergonhada de tantos agentes culturais. Há milhares de "intermitentes" que agradecem.E quanto mais persistentes formos mais as "formigas" construirão os seus estranhos e indispensáveis "formigueiros".
;)

19 de setembro de 2007

AQUILINO

Basta ler o primeiro parágrafo de QUANDO OS LOBOS UIVAM para se perceber imediatamente a diferença entre um grande escritor e um bluff com amigos nos jornais. É denso, emocionante e toca os sentimentos humanos de uma forma "carnal", visceral.
Ao carregar-lhe com os ossos para o Panteão, o "Estado" na figura do governo ou de algum departamento ministerial de que desconheço o nome (Gabinete de Relicária?) julga cumprir o seu dever para com o escritor. Não cumpre. Cumpriríamos todos se o lêssemos. Se soubessemos do que se está a falar quando se discute o seu trabalho. Se um grupo numeroso de pessoas entendesse por que razão alguém se lembrou desta homenagem.
Aquilino cumpre, aos olhos desta gente, apenas dois critérios: ouviram falar do nome e está morto.
A ministra fala de "escritor regional" (como falou de "divulgador da cultura portuguesa no estrangeiro" no funeral de EPC. Adjectivos não lhe faltam...). Tem razão. Embora do quintal dele se visse o interior dos homens.

No momento em que escrevo, a RTP transmite (acabou de) em directo a cerimónia. Levou câmaras, gruas, carros de exterior e a menina que apresentava a bola e que agora apresenta jornais. De caminho juntou-lhe uma outra jovenzinha que não um faz um boi de ideia sobre quem foi o homem. Sabe que está morto e que escreveu livros que ela nunca leu ou lerá. A RTP, paga com o nosso dinheiro, cobre este acontecimento com o desprendimento ignorante com que sempre se vestiu. Manda os piores fazer o trabalho chato.
Salvaram-se os comentários do meu amigo Baptista Bastos, pedagógico e paciente com toda aquela manifestação ignara. Alguém que tinha alguma coisa a dizer no meio... daquilo. Bem-haja pelo esforço.

18 de setembro de 2007

PERSEPOLIS

O filme de Marjane Satrapi, a partir da série (maravilhosa) de livros, terá ante-estreia na Festa do Cinema Francês. A partir da história verídica da autora, obrigada a abandonar o seu país tomado pelos radicais islâmicos.
A não perder.
Check out this video: Persepolis - Bande Annonce "Clip"



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Aqui, uma entrevista de Marjane.
REDE NÃO ESTÁS SOZINHO

Escrevi a alguns amigos o seguinte texto (abreviado):
"RNES.
Parece-me que era bom irmos criando redes informais de sobrevivência. Numa altura em que a Cultura só não caiu no limbo, porque o Vaticano se lembrou que afinal nunca houve limbo (Céu e Inferno, tudo limpinho e directo), parece-me interessante pensarmos uns nos outros, em vez de nos safarmos sozinhos e a custo.
Estas iniciais, por exemplo, são para Rede Não Estás Sozinho. São apenas iniciais, mas que significam que poderemos trocar entre nós, dificuldades e oportunidades. Pequenos trabalhos, disponibilidades, oportunidades de que se ouviu falar e que não servindo para nós podem ser úteis a outros(...)Passemos palavra uns aos outros.
Vamos esquecer por um bocadinho o egoísmo nacional e pensar em rede. Ou, neste caso, para bem dos outros em RNES."

Responderam todos, com ideias e propostas. O que me mostrou que não, não estamos sozinhos.
Daí que expanda a ideia:
Para quem quiser usar este blogue para pedir honestamente trabalho, temporário, ou não, ou, do outro lado, dar conhecimento de funções, artísticas ou não, mas que possam ajudar a sobreviver à intermitência da Cultura em Portugal, façam favor. Usem o e-mail, ou até os comentários, que eu publico em seguida.
Onion Tv

No mês em que o 11 de Setembro é lembrado, nada melhor do que ver o que a Oniontv apurou sobre o caso...

17 de setembro de 2007

OS MUNDOS CIBERNÉTICOS

Como diria uma tia de Cascais: "É só rir!".
Hoje a minha viagem foi pelo Hi5...
fiquei a saber que o Herman anda com poucos amigos (161). Mas que uma das amigas dele tem mais de 700... E que um deles se chama "Botas"... e que o Botas, por sua vez, tem uma amiga que gosta muito dele. O texto dela foi;
"Ola lindo,tenho saudades das tuas maos no meu corpo...Beijos doces minha botinha linda...Adore-te"
Kida Filipinha nós também te "aderamos"!

Ps: se quiserem fazer como o António que a acha uma "miúda giríssima" podem ir aqui e de lá até ao fim do mundo...


Este é o António

15 de setembro de 2007

INTERMITENTES

"Aviso a todos os profissionais das Artes do Espectáculo e Audiovisual

(encontro no próximo dia 17 de Setembro, 2ª feira, às 21h30m na RE.AL (Rua do Poço dos Negros n.º55)"

Era bom que este executivo percebesse que uma coisa é teimar com quem viveu sempre rodeado de privilégios e nem concebe que lhes possam tocar (os farmacêuticos, por exemplo)outra é não quer ver o grito de quem sofre. Mesmo mantendo um gabinete gerido por incompetentes como é o da Cultura,a chefia do executivo deveria ser sensível à nuance... Muitos foram os que votaram neles baseados na expectativa dessa sensibilidade.

13 de setembro de 2007

CHOQUE TECNOLÓGICO

Esta tarde, dois irmãos idosos da minha família viram-se em vídeo pelo messenger, depois de mais de um ano sem se terem avistado.
Pode parecer insignificante. Não foi.
Fiquei até a saber que para esta geração, os homens não choram. Vêm-lhes é lágrimas aos olhos.

11 de setembro de 2007

DOWN DOWN AND AWAY!!!
Hoje soube de duas jovens realizadoras: uma já emigrou e outra prepara as malas.
Não têm dinheiro para pagar a renda. Vão para fora, onde ao menos podem comer descansadas.
Primeiro foram os que cheiraram no ar a tempestade, agora os que não vislumbram futuro. Em breve, o resto dos melhores.
Vamos ver quem sobra.

10 de setembro de 2007

MANÁ ENVENENADO

É difícil decidir o que é pior: uma matinal vizinha que estremunha os pardais gritando para o interior das escadas do prédio, ou um emigrante que mora nas traseiras e que não tem medo de fazer karaoke de temas como "Cheguei! Cheguei!".
Deus, na sua infinita distracção, julgou estar a fazer-me um favor e concedeu-me os dois...
(suspiro)


INTERMITENTES

Li o projecto de lei que regulamentará a situação dos milhares de indivíduos que ganham a sua vida no campo artístico, sem protecção de qualquer espécie e na total incerteza de ter o que comer vários meses por ano. Pareceu-me uma imbecilidade, ou não viesse do actual gabinete da Ministra da Cultura. Perante uma situação da maior urgência e preocupação estas criaturas propõem uma série de movimentos contratuais que não resolvem coisa nenhuma. Um documento tão incompetente que todos os outros que li eram melhores, incluindo os do PCP e do BE (bom, o do CDS não se percebia e o PSD não faz ideia de que alguém possa estar interessado em trabalhar na zona artística a não ser de nome e para ter um tacho...).
E contudo, as reivindicações são simples: a) queremos descontar tudo o que for devido ENQUANTO SE TRABALHA, b) quando não tivermos trabalho gostaríamos de receber subsídio de desemprego DE ACORDO COM OS DESCONTOS FEITOS.
Isto é complicado de perceber? Só um gabinete de gente estúpida é que não entenderia.
FESTIVAIS

Chegou ao fim o Festival de Cinema de Terror de Lisboa. Pareceu-me, no geral, ter um balanço positivo. Uma boa afluência de público para um primeiro ano e uma escolha de filmes, maioritariamente simpática. Lembro que quanto mais especializada é a temática menor é o número de obras produzidas. E dessas, menor é a possibilidade de encontrar bons filmes.

E dentro de festivais de género, começa esta semana o "QUEER-Festival Gay e Lésbico". Embora do ponto de vista de "hospitalidade" aos diversos públicos me pareça que a alteração para "Queer" (estou para ver as traduções que vão fazer nos telejornais...) o afunile, a programação deu um grande salto qualitativo. Sobretudo nas longas-metragens, onde poderemos assistir a alguns dos melhores filmes produzidos nos dois últimos anos. Mais ou menos relacionados com a temática do festival, mas obras de grande interesse.

Ficamos todos a ganhar quando aparecem, ou se desenvolvem, festivais com boas programações. O que nem sempre acontece.

7 de setembro de 2007


ABRE A BOCA PASSARINHO QUE A MAMÃ QUER REGORGITAR A MINHOCA

Uma carta enviada a um jornal nacional reflectia de forma solar o pensamento de uma grande fatia das gerações pós-1975.
Um senhor, jovem, presumo, protestava sarcasticamente contra a ideia do actual governo em promover protocolos entre a Banca e o Estado para o empréstimo a estudantes. O rapaz odiava esta ideia de ter de se trabalhar para pagar os estudos. DE ELE ter de trabalhar para pagar o benefício que recebeu. O fim da universidade descontraída e feliz, da mama do Estado, depois da mama da mãe.
A nossa democracia criou milhões de indivíduos que acreditam que o dinheiro cai do céu e que não é preciso fazer mais do que gritar ou chorar para que ele apareça. Primeiro a casa dos pais até aos 20 ou 30 anos, depois o Estado-Providência. Caberia, nesta visão, aos outros a responsabilidade pelo seu bem-estar. Escola certinha e de borla, emprego certinho e de pouco esforço, reforma cedo para poder ir em cruzeiros pelo Mediterrâneo e assim sucessivamente. Esta ideia da Família-Estado já foi tentada, amigos. Durante décadas na União Soviética, só para dar um exemplo. Mas não só não resultou, por contrária à natureza empreendedora que reside no interior dos seres humanos (aparentemente, dos portugueses, nem por isso…), como conduziu a inevitáveis racionamentos de bens, fecho ao resto do mundo e privação de liberdades várias.
Sugeria que começassem a trabalhar, a responsabilizar-se pela educação e desenvolvimento pessoal. Porque os papás, mesmo os papás-estado, morrem um dia.


CONTOS DE TERROR

Foi ontem o lançamento da colectânea de contos de terror, "CONTOS DE TERROR DO HOMEM-PEIXE", pela editora que tem o maravilhoso nome "Chimpazé Intelectual".
É uma boa ideia, juntar escritores mais conhecidos ("mainstream", como diria um dos autores convidados) com outros menos conhecidos ("lowstream"?), acrescentando ainda os vencedores do concurso de contos ("futureornotstream") promovido no âmbito do Festival de Terror, Motelx. Isso torna a coisa mais diversificada e atenua o inevitável desiquilíbrio das encomendas literárias.
Para mim, foi uma boa experiência pensar um género específico. Normalmente, quando escrevo um conto ou romance, trabalho sem referências ou rede. E isso... é muito mais assustador.
Também foi bom ver a sala cheia de gente a assistir ao lançamento. O terror e o festival de cinema MOTELX estão, também por este lado, de parabéns.

4 de setembro de 2007

RENTREE

Ontem perguntaram-me por telefone se "ia mais ou menos". Eu respondi que "ia bem". Que estava sol, tinha a barriga cheia e de saúde. Por isso, estava bem.
No regresso (sobretudo dos outros) ao trabalho, deixo que novas ideias se formem e projectos nasçam em mim do nada. É Setembro, quando o novo ano começa.

2 de setembro de 2007

MUSEUS

Uma das maiores originalidades que se pode praticar em Portugal, ao domingo, é ir ao museu. Com os centros comerciais ali mesmo ao lado, cheínhos de gente a consumir ou a consumir-se por não o poder fazer, há malucos que perdem tempo a perceber a hístória do seu país ou a maravilhar-se com a arte.
Nunca tinha visitado o Museu do Traje. Nem o do Teatro. Os dois lado a lado, para os lados do Lumiar. Foi hoje.
Não são muito grandes, mas bastante agradáveis, e o pessoal é simpático e acolhedor. Desconfio que na minha distracção devo ter perdido algumas salas, pois a história do vestuário em Portugal há-de ser maior... Mas ainda assim, gostei bastante.
Também esperava um museu do teatro com um espólio maior, mas o resultado foi igualmente agradável.
E para melhorar este efeito contribuiu a visita ao jardim botânico que preenche a propriedade. Bem tratado, de grande dimensão e com uma variedade enorme de plantas. Por cima das copas das árvores mais altas, várias espécies de pássaros, alguns tropicais (presumo que fugidos de cativeiro incerto...).

Desconfio que vou continuar a trocar as delícias de passear no Centro Comercial Colombo por mais uns domingos...

31 de agosto de 2007

WAR

A Tvi é que é boa nisto. Qualquer notícia se reveste de dramatismo. No caso da vitória de Jardim Gonçalves sobre Teixeira Pinto até ilustrou com tanques de guerra. Manifestamente parece-me exagero.
Trata-se apenas de dinheiro. O primeiro deu milhões a ganhar à Opus Dei e aos seus apaniguados. O segundo trouxe prejuízo, com o disparate da Opa sobre o Bpi.
Só dinheiro e poder. Não houve mortes. Quanto muito, menos umas idas de jacto privado para o ex-chefe do BCP...

30 de agosto de 2007

RATATOUILLE

Para os menos snobs, passe a notícia que a Pixar acertou de novo.
Parece mentira, mas há ratazanas que nos dão apetite :)
E filmes tão bem feitos que deveriam ser ensinados na Escola de Cinema. Para variar da cinematografia europeia dos anos 60, pelo menos...

21 de agosto de 2007

O AMIGUINHO

Perante as irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas na gestão da Cãmara do Funchal, Marques Mendes já se veio mostrar solidário. Tal como tinha feito há pouco tempo com Alberto João, o antigo inimigo.
Mas não haverá ninguém que diga a esta... caganita de fato que este estilo antigo de fazer política, enfiando debaixo do tapete tudo o que tira votos, já deu o que tinha a dar?
Oh, valha-me a nossa senhora do Paúl do Mar...!

FÉRIAS

Por assim dizer, por uns dias, no país real.
Não falei aqui de uma viagem por mar,mar a sério, nem de baleias à distância no mau tempo, ou dos golfinhos que desafiaram a proa do veleiro. E contudo, também se passou. Como também aconteceu fado com uma fadista melhor do que a Mariza - e que acha que não canta nada - agarrada à parede do navio para não cair, e o fado, o que há de mais portugês em nós, a silenciar provisoriamente amigos espanhóis. Para falar disso, teria de falar de Espanha e dos convites amigos e respeitosos pelos escritores. Aqui mesmo ao lado.

17 de agosto de 2007

DOCUMENTÁRIO

Apesar do relativo alheamento das televisões, prossigo com a rodagem do documentário sobre a vida e obra do Urbano Tavares Rodrigues.
Mesmo sem o apoio de ninguém, eu e a Filmes do Tejo lá vamos, navegando Alentejo afora.
Algumas fotos:





(fotos Miguel V.)

8 de agosto de 2007

"(...) E assim cheguei à luz de um pensamento
De que afinal um roseiral florido
Vive de um triste e oculto movimento"

ANTÓNIO BOTTO
O PROBLEMA DA RUTEMARLENE

De todo o lado me chegam convites para abrilhantar feiras do livro, colóquios,etc, etc.
É lisongeiro, dirão.
Não.
Pedem-me, como aliás pedem a toda a gente, que nos metamos no carro, façamos 100, 200, 300 quilómetros para lhes ir abrilhantar a festa, de borla. Que interrompamos o nosso trabalho, as nossas férias, o nosso tempo com a família e partamos para os locais mais afastados sem receber nada em troca. Tipo missão.
Quando se lhes pergunta quanto é que estão a pensar pagar-nos pelo nosso esforço, respondem-nos, friamente, "que não estava previsto". Que o dinheiro foi todo para os cantores, pimbas ou não, para pagar às gráficas ou para o salário da pessoa que organiza.
Num país sem ministério da cultura, em que se ganha misérias com a venda dos livros basta fazer contas a uma deslocação dessas: 10% de um livro que custe 15 euros=1,5 euros x 20 livros- que é o que se assina numa coisa dessas, com sorte - é igual a 30 euros antes de impostos. Ou seja, uma deslocação de centenas de quilómetros, mais gasolina e portagens, mais um dia de trabalho perdido por 30 euros? É este o valor que nós temos para uma vereação de cultura, ou para um organizador de feira de livro?

O que acontece é que os melhores escritores ficam em casa. Naturalmente. Sobram os que têm vergonha de dizer não e os menos conhecidos, que ingenuamente pensam que esta participação lhes "irá abrir portas". Não vai. Enquanto deixarmos que nos tratem como lixo não se abrirá coisa nenhuma. Nós não somos lixo.
E quem paga 10.000 euros ou mais a um cantor pimba também pode arranjar 200 euros para pagar para essa coisa banal que é a Cultura.
Haja vergonha!

6 de agosto de 2007

LIVRO INFANTIL

Era um bocado inevitável... Com a família a chatear durante anos:
no final do Verão, pela Caminho, sai a primeira história do mais que persistente Tomás-Teimoso. Ilustrado pelo Luís Henriques.
"Quero ir à praia!", insiste ele.

5 de agosto de 2007

PARABÉNS!

Em comunicado, o Banco Espírito Santo anunciou: "O resultado do 1º semestre de 2007 totalizou 366,8 milhões de euros, o que representa um
crescimento homólogo de 83% e um ROE anualizado de 20,5%." Ao que consta, o BCP ganhou ainda mais, embora a aventura do BPI o tenha feito perder algum, e o resto dos bancos idem.
Quero aqui saudar os accionistas ganhadores, dar-lhes os meus parabéns em nome dos milhões de portugueses que passam as maiores dificuldades para pagar as prestações da casa, do número crescente de sem-abrigo que todas as noites estende os seus cartões na rua, da população idosa que adormece com barriga reconfortada a pão e leite, dos artistas que definitivamente deixaram de ter dinheiro para comer quanto mais para criar. Do país real, em suma.
Parabéns.
Mais um bocadinho e teremos as rodas dos ganhões, com homens ansiosos encostados às paredes enquanto o capataz aponta o dedo aos que nesse dia poderão alimentar as suas famílias.
Na nossa originalidade portuguesa conseguimos fazer o tempo andar para trás. Pelas minhas contas devemos estar para aí em 1973.

3 de agosto de 2007

COMO DISSE?

Pedrito "de Portugal". o matador de touros portuga, declarou ao "Sol" ser contra os maus-tratos a animais...
Pardon?

2 de agosto de 2007

UMA ORAÇÃO DE SOPHIA

Numa altura em que os mais liberais de entre nós estão conscientes do triunfo do capitalismo mais selvagem, onde as editoras de livros ou de música lutam apenas pelo lucro, massacrando no caminho a razão inicial da sua existência, talvez este poema ajude:

"REZA DA MANHÃ DE MAIO

Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.

Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade
Apagai a vaidade
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive."

Sophia de Mello Breyner Andresen
in "Dia do Mar"

1 de agosto de 2007

FILMES

Esta curta tem feito uma bela carreira em festivais. Pode ser vista aqui (por agora), no site do festival de Motovun, Croácia (um conhecido evento que ocorre anualmente nessa pequena cidade, arrastando milhares de pessoas, durante 5 dias).
DE VOLTA AO PAÍS PATÉTICO







Logo de manhã, fui aos Correios, cheios que nem um ovo. Tiro a senha da vez, faltam quarenta números para ser atendido. Decido ir ao Minipreço que está à cunha, cheio de gente deprimida e pobre que não foi de férias porque como a maioria dos portugueses anda a bater com a perna uma na outra, que é como quem diz na antecâmara da fome. Compro ovos, maçãs baratas, pão e hesito nos iogurtes Actimel que são mais caros.
De volta aos correios, espero mais meia-hora pela minha vez de levantar uma carta registada das Finanças a ameaçar-me que me vão multar por não encontrarem um pagamento de imposto, que foi pago e de que até tenho recibo, mas que o sistema maravilhoso que o tipo do BCP-Impostos não detectou. Lá irei amanhã, mais uma hora para a fila da minha repartição, para mostrar o papelinho que eles deveriam ter visto.
O país dos ruben-filipes está igual a si mesmo. Eu é que acabei de chegar e ainda noto.

15 de julho de 2007

PENSAR

Foi divertido assistir à participação das pessoas nesta criação, "A Educação Sentimental". Algumas saíram de lá mais atentas, outras apenas satisfeitas com a experiência. Houve alguns que não perceberam nada, mas gostaram das meninas.
E muitos ficaram a falar com a "Mãe Maria", no papel de senhora incapaz de triunfar numa sociedade que privilegia o egoísmo e a superficialidade.
O meu obrigado ao C.E.M. pelo convite de participação no Festival Pedras d'Água.
Aqui ficam as fotos do evento. As restantes podem ser vistas no site do CEM.






13 de julho de 2007




HOJE...

E amanhã, pela fresquinha (19h, 21h) todos à Rua Augusta, para sermos reeducados de uma forma sentimental e despachada.
Vamos, que o Portugal acrítico e egoísta espera por nós!

11 de julho de 2007

MAS POR QUE É QUE OS GAJOS MEXEM NAS COISAS?

Afinal estamos perante um consenso quase nacional: os jornalistas estão seguros que um governo que lhes acaba com o serviço próprio de saúde é para abater, os funcionários públicos têm a certeza que não é bom para eles serem avaliados pelo mérito, o governo regional da madeira que um governo que tenta impedir a corrupção generalizada com que se banqueteia é um filhodaputa e por aí fora...
Até estou admirado com as farmacêuticas que perderam o monopólio de chularem os portugueses a seu belo prazer e que ainda não arranjaram forma de destruírem este primeiro-ministro. Não devem estar a seguir as lições da Bayer, com certeza...
Nunca a inércia endémica deste país foi tão abalada, e isso, não passará sem o ressentimento do próprio objecto de melhoramento.

ps: só para esclarecer que não acredito em santos, mas que há gente cuja teimosia poderá dar frutos a longo prazo. Ah... e também não sou candidato a nenhum tacho, autárquico ou governamental. Se fosse ter-me-ia sentado na primeira fila de uma "sessão com a cultura", com a minha melhor roupa e estaria a discursar no próximo comício. Se aspirasse a director da Casa Fernando Pessoa, por exemplo.
JULY JULY....
O calor aperta e a gente não desperta...

10 de julho de 2007


OS ÚLTIMOS DIAS

Trabalhar, trabalhar, antes que o sol aqueça demasiado e as férias se instalem por todo o lado.
Nas escadas do meu prédio, os vizinhos de cima fazem uma barulheira a descer às 7.55 h. Depreendo que não seja pela alegria ao trabalho, mas sim pela perspectiva dos dias sentados nas cadeiras de campismo, do som da novela na televisão pequena com duas antenas, e o antecipar do marulhar da babugem sobre as pernas cansadas.
Um último esforço antes dos dias de felicidade em pacote.

7 de julho de 2007

AS FLORES VISTAS DE BAIXO (4)
Julgámo-nos em segurança nessa última noite, enquanto partilhávamos a terrina da sopa, onde os feijões que havíamos colhido na horta se despediam da terra. Julgámo-nos em segurança quando nos despedimos para dormir, Vale subiu até ao seu nicho dividido por um tapume de todos nós, eu trepei de um salto até à minha cama a cheirar à casca recém-cortada dos pinheiros e a mãe deu um beijo na testa de Jacinta, levada em braços pelo meu pai.
Mas enquanto as luzes se desligavam na nossa casa de madeira já eles cruzavam os campos de lírios e os ribeiros. Já mordiam buchas de pão, sem tirarem os olhos do caminho ou das tochas do guia que lhes assegurava não faltar muito.
Quando o dia nasceu, estavam tão perto da nossa casa que quase nos podiam avistar. E foi em murmúrios que os homens e as mulheres disseram às crianças e a si próprios por que razões vinham à nossa procura. Foi num sussurro que apertaram às mãos as correias que seguravam as mocas, cuidadosamente esculpidas para abrir um crânio com um golpe seco; ou afiaram as navalhas que antes tinham servido para cortar o caule de pé de milho ou uma fatia de enchido. Homens, mulheres e crianças de olhos claros que não reflectiam o dia, chegaram ao início da manhã. Tinham os pés sobre as flores.
O pai não os ouviu, com o barulho da serra, e quando os avistou, mal teve tempo de se defender. Caiu no chão com a sobrancelha rasgada e duas lanças no peito, cravadas em uníssono por dois rapazinhos gémeos de quem se esperavam grandes feitos.

3 de julho de 2007

PLANTAS E NOMES ANTIGOS


Um amigo reencaminha-me um recorte de um jornal das ilhas Baleares, que fala de uma planta antiga, cujo o nome vem directamente de Poseidon (ou Posidon) e que gostaria de pensar como lema :)
"La posidonia es una planta marina y su presencia en la orilla del mar protege la playa de la erosión de arena por la accion del mar".
Já que vivo num país que acha que os escritores e os poetas não servem para nada, ao menos nos deixem a ideia que o nosso trabalho ajuda a impedir a erosão das coisas naturais...

2 de julho de 2007

AS FLORES VISTAS DE BAIXO (3)



Dentro da casa, Vale estava estendida de costas sobre o edredão de riscas azuis. Sabia que em breve a mãe a chamaria. Mas a minha irmã mais velha era assim mesmo: dormia sobre as obrigações e sonhava com o que não se encontrava ali. Era preciso estar sempre a chamar-lhe a atenção durante as aulas de gramática. Vale imaginava-se sempre longe, num lugar livre de deveres. Um sítio onde não lhe seria exigido nada mais do que uma ordem breve, ou a expressão de um desejo. E, contudo, era a primeira a focar-se no que havia para fazer sempre que uma desgraça acontecia.
O pai não estava à vista. Mas podíamos ouvir o ruído da sua serra hidráulica, alimentada pela água do pequeno riacho (que ele apresara, de resto). O pai era assim: podíamos sempre ouvi-lo. E, se prestássemos atenção, cheirá-lo. Esse cheiro de resina de árvores e camisas suadas dava-nos a todos uma sensação de segurança. Mesmo quando as árvores pareciam crescer sobre a clareira onde ele reconstruíra a nossa casa, a partir de uma velha barraca; mesmo quando as nuvens fugiam da montanha ao fundo e se juntavam sobre as nossas cabeças para nos ameaçar com o dilúvio.
Foi ele que me endireitou as golas da camisa de flanela azul. O que me passou a mão pelos cabelos que pareciam querer fugir para longe do lugar onde os tencionava manter. Deixou-me à distância exacta a que um pai deve deixar o filho que entra para o seu primeiro baile. E permitiu entre nós o necessário silêncio. Para que eu pudesse saborear mais um pouco o riso das bocas das raparigas que, excitadas, tinham partilhado comigo uma dança.

28 de junho de 2007




Depois de um breve inquérito conduzido por duas esplendorosas (e bem vestidas) hostesses, o visitante é conduzido através de um percurso que lhe permitirá melhorar as suas competências na área do sucesso nacional. Capacetes que transmitem cultura instantânea, permitindo ouvir tudo o que interessa ouvir para fazer um brilharete, alternam com outros que conduzem à Felicidade Fácil. Rir de qualquer coisa e sentir-se bem sem mergulhar um centímetro que seja na profundidade de um problema. Também a necessidade de atribuir uma nova terminologia será abordada. Assim, os candidatos ficarão a conhecer os novos significados de “Casa”, “Caixa de cartão”, “Juiz” ou “Portugal”, entre outros vocábulos. É a PLEBs, terminologia adequada ao cidadão-carneiro e falido.

No fim, a possibilidade de auto-análise e de ver os melhoramentos num espelho. Todos os participantes receberão como prémio uma senhora idosa que nunca entendeu o sentido estético de Arthur Schopenhauer*.

Festival Pedras d'Água
13 e 14 de Junho (sexta e sábado), das 19h às 21h
RUA AUGUSTA, Lisboa

25 de junho de 2007


A FLORES, VISTAS DE BAIXO (2)

De vez em quando, olhava para a minha mãe que lavava no tanque grande. A pilha de roupa começava a ceder, flutuando num dos lados sobre uma mancha branca de sabão. Era a parte de enxaguar; a que ela tinha pedido ao pai que lhe construísse, durante pelo menos 3 anos. A minha mãe esfregava a roupa de cá para lá e de lá para cá, rasgando os dedos finos e vermelhos contra as areias que tinham sido coladas à pedra de apoio para melhor arrancar as notas de unto. Também ela levava por vezes a mão ao cabelo para o desviar da cara, soprando, e observava Jacinta. Assegurava-se de que ela continuava à vista e não se tinha voltado a lembrar de fazer uma fogueira com pilhas de paus. Jacinta sabia fazer fogos maravilhosamente realistas para a sua idade. E mesmo se não chegava à fase de os acender, ainda assim, as suas bonecas pareciam contorcer-se de dor, prisioneiras das posições em que as deixava. A minha mãe não queria arriscar esta visão.

24 de junho de 2007

AS FLORES, VISTAS DE BAIXO (1)

Eles vieram de noite. Atravessaram os campos de lírios com as botas cardadas; as botas que tinham generosamente engraxado desde as primeiras horas do entardecer. As mulheres arregaçaram as saias e desviaram os cabelos dos olhos claros. Os homens levaram uma das mãos, várias vezes, às calças de tecido grosseiro, ali, onde a comichão parecia querer comer-lhes as virilhas. As crianças seguiam ora à frente, ora atrás, os olhos ainda mais frios que os das mulheres porque não reflectiam nem a luz das tochas que traziam nas mãos nem o rasto das estrelas que passavam por cima deles. Saíram de noite e atravessaram os campos. Saíram de noite e meteram os pés dentro dos ribeiros e fizeram rolar as pedras por onde os animais passavam.
A minha irmã Jacinta brincava com a boneca de pano. E ainda com outra, a preta de cabeça de massa, julgo, debaixo do telhado de madeira. Falava com elas, ralhando-lhes por não terem feito isto ou aquilo. Ensinava-as, ainda, a comportarem-se à mesa. “Não se pode cantar", ralhava, severa. Pelas costas, os cabelos espalhados em caracóis.

CONTO INÉDITO (EM PORTUGAL)

Numa época em que as editoras e os livreiros nos tratam como colecções Primavera-Verão que é preciso renovar ou esquecer na estação seguinte, vou começar a publicar aqui alguns inéditos.
O primeiro conto, saiu apenas no México e chamei-lhe "As flores, vistas de baixo".
Vou deixando pedacinhos, porque os posts, mesmo os literários, são para se ir lendo.

22 de junho de 2007

MICROFILMES

Para o ppl interessado em fazer filmes sem pensar demasiado na difícil tarefa de montar uma estrutura de produção, os alunos de produção da RESTART lançam um desafio:

"30'' em Lisboa | Concurso de Microfilmes
30 de Junho
O evento consiste num concurso de microfilmes - filmes de curta duração (30 segundos), feitos a partir de telemóveis com câmara - e é dirigido a um público jovem, interessado nas novas tecnologias.

Este concurso será realizado num único dia – 30 de Junho de 2007. Os vídeos poderão ser realizados a partir das 00h do dia 30 e terão de ser descarregados em dois espaços no Bairro Alto - a loja/bar SEM SIM e a galeria ROSA DA RUA - das 00h às 03h e das 15h às 19h.

Inscrições em 30segundos.publico.pt

Os microfilmes serão exibidos à noite numa festa no MUSIC BOX com a participação da banda MICRO AUDIO WAVES e do dj RUI MURKA. Simultaneamente proceder-se-á à entrega dos prémios aos vencedores.
a www.myspace.com/30seglx
30seg.lx@gmail.com."
SEM COMENTÁRIOS

Nos anúncios que o Google nos enfia ao lado dos e-mails ou dos posts, apareceu-me a seguinte proposta:

"Divirta-se com livros Cristãos Gratuitos sobre o evangelho da salvação"



Enfim...

20 de junho de 2007

Tenho saudades do Brasil.
AINDA AS ELEIÇÕES PARA A CÂMARA DE LISBOA, EM VERSO - FRACO - PARA ALIVIAR

Do debate de ontem na Sic Notícias percebeu-se o seguinte:

a) O Carmona não vive à tona (fuga para a frente e mente e mente)
b) O Mimoso Negrão é um bocado parvalhão (troca Setúbal por Lisboa, em frases à toa)
c) A Roseta é conciliadora... Logo, a óbvia perdedora (sejam amigos, diz, e os outros... vá de lhe virar o nariz)
d) O Costa está no castelo, aos ataques, riso amarelo (já ganhou na tranquilidade que conhecer o governo é governar a cidade)
e) O Ruben tem nome de teen, a foice velhinha espetada num pin (tudo para o quadro para aliviar a despesa que São Marx não nos falhará com certeza!)

Para resolver é o toca a vender. Para reduzir é o toca a substituir. Boys pelos boys, só mudam os cobóis!

19 de junho de 2007

ALIMENTAR-SE DE AR

É maravilhosa a confiança na falta de apetite dos criadores manifestada quer pelo Estado quer pelas instituições privadas que nos contratam. Para aqueles que invejam esta maravilhosa vida de criador mais ou menos reconhecido, fiquem a saber que a coisa não é bem o que parece. Os pagamentos de direitos e de participações em eventos variados são normalmente tirados a ferro. Nunca são a consequência imediata do nosso trabalho. Pelo contrário, actores, escritores e quejandos são vistos a maior parte do tempo a arrastar-se a pedir o que é deles.
A questão é: se os agentes culturais têm esta atitude de desprezo para com os criadores, como é que se pode esperar que o público os acarinhe sem reservas?
E isto não tem a ver com crise. Tem mais a ver com o facto de as "indústrias culturais" estarem em 3º lugar na contribuição para o PIB e de o Ministério da Cultura lhes atribuir em troca 0.7% do Orçamento Geral do Estado. Haverá discurso mais eloquente que este?

15 de junho de 2007

CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Muito educativa a visita aos sites e blogues dos candidatos às eleições para a câmara de Lisboa. Permite ver, pelo número de apoiantes, quem são os vencedores e os vencidos. Como se sabe, os ratos são os primeiros abandonar o navio (veja-se a lista de apoiantes de Carmona) Recomendo vivamente o site do Negrão-PSD, embora se possa fazer download de toques de telemóvel AINDA NÃO HÁ PROGRAMA. Isto é, sabem que é giro ir a votos, só não sabem porquê. Isto é tão psd… A candidatura deveria chamar-se Mais Umas Argolas Para Pendurar Das Orelhas De Lisboa….
Enfim…
Outra constatação é o deserto de ideias no que se refere à Cultura. Helena Roseta, perante uma multidão de artistas a passar fome pensou que era boa ideia estourar milhões com uma Biblioteca na zona Oriental de Lisboa. .. No comments.
O PCP, que será quase certo responsável pelo pelouro da Cultura (uma vez que o PS não terá maioria e vai ter de ceder um pelouro qualquer e certamente se livrará do menos importante, o que é o mesmo que dizer que vamos ter o director do Avante a apoiar espectáculos das Neo-brigadas-Vitor-Jara… ) também não diz nada de relevante sobre o assunto.
A surpresa vem da Nova Democracia, onde Manuel Monteiro, por não ter nada a perder, optou por uma estratégia de utilização económica de recursos (youtube) para promover objectivos de ataque. Ou seja, o homem começou a dizer o que achava, uma vez que sabe que tão cedo não terá um tacho à espera. Onde se prova que a fominha aguça a honestidade.

12 de junho de 2007

ONDE SE REVELA UM SEGREDO

Muitas são as pessoas que me abordam para saber como se chega a esta condição de escritor. Ainda por cima com nomes invulgares. Como cada vez mais tento viver em despojamento, aqui deixo o meu segredo mais íntimo.
E em vídeo, para maior comodidade.

11 de junho de 2007

VILANOVA-ILHA TERCEIRA



"Escaleiras"

Olhando para o arranjo em cimento torna-se difícil lembrar como era este local de banho nos anos 80. E contudo, foi daquelas ondas para a frente que vi espécies de peixe como só ali se avistam ou cardumes de alforrecas ("águas-vivas") de longos e dolorosos tentáculos entre tantas aventuras. Olho para esta imagem, apesar de invernosa, e ouço as vozes dos meus amigos de adolescência a chamar da água.

10 de junho de 2007

UM-A-ZERO PARA O TOURO

Há touradas e touradas. A Julie enviou-me este link, para lembrar a festa principal da minha terra de afeição, a Terceira. Não sendo a coisa mais edificante do mundo, não é comparável com a carnificina que enche os bolsos a empresários e cavaleiros tauromáquicos aqui do continente. É uma bullfight... e o bull farta-se de ganhar :)
BURRO VELHO...

O Luís Pereira de Sousa volta de novo à história da televisão. Desta vez, como mau perdedor de sarcasmo duvidoso, além de falhado. Ao aceitar o convite dos Gatos para dar a cara por um dos seus inúmeros dislates e acabar oferecendo-lhes uma ratazana como "révanche", cobriu-se (voltou a) de ridículo. Para as gerações mais novas fica a informação que o senhor não tem um ou dois "tesourinhos deprimentes", tem 30 anos de dinheiros públicos usados na sua preparação. Claro que nesse esforço está acompanhado por muitas centenas de tele-medíocres.

7 de junho de 2007

PONTES, FERIADOS E DE COMO QUEM OS NÃO TEM, AINDA ASSIM APROVEITA PARA IR COM QUEM PODE






Presenciar de novo a luta dos ciclopes contra as falésias. Enquanto os Belmiros nos deixarem.

6 de junho de 2007

X FILES
A RTP entrou mesmo nas séries. Penso que isto será o piloto da versão portuguesa de Ficheiros Secretos...
SALDANHA SANCHES CONTRA OS IMPOLUTOS

O todo-poderoso sindicado dos juízes já se veio queixar muito que o jurista Saldanha Sanches anda a lançar sombra sobre o seu sempre brilhante trabalho.
Devem estar a gozar.
Primeiro, metade da população acha que há pilhas de corruptos a ganhar salário dentro do sistema judicial, magistratura incluída.
Segundo, mais 25 % acha que nessa área, como em todas, há de tudo. Sendo que o poder incontestado e inquestionável de que dispôem não ajuda nada.
Claro que se entende as razões corporativas do lobby, a começar pelo hábito de chegar aos mais de 5000 euros de reforma para todos eles. Enquanto quem dobrou a espinha a vida toda se tem de governar com 200 euros.
Mas, acontece que o 25 de Abril não trouxe só os sindicados oitocentistas, transportou também consigo a possibilidade de não comer e calar obrigatoriamente. Por isso, se há alguém no meio da carneirada que pergunta, vão ter de se aguentar.
QUALIFICAR

Dá trabalho, pois dá. E quando exercemos mal uma função durante décadas não nos apetece nada repensar os procedimentos. Esta é a génese do mau funcionamento de muitos serviços. Os transportes, ancorados na pressão pela ronha da CGTP, foram exemplo acabado disto. A CP era péssima, antes do aparecimento da REFER, e a Carris não tinha explicação. Quanto a esta última, ainda tem muitas valhas, mas o processo de acredição pela Qualidade (introduzida por uma empresa externa especializada) veio mudar tudo. A maior parte dos autocarros já começa a passar a horas, os NOVOS condutores são prestáveis, em vez das bestas que nos viravam a cara quando entrávamos, etc, etc. O caminho para um país melhor passa mesmo por aqui. E quem não quiser participar no processo vai mesmo ter que ir para casa, amargo e aos gritos que o mundo está a acabar.

4 de junho de 2007

queria incluir esta imagem no cabeçalho... mas a ignorância informática levou a melhor. Fica a foto fresquinha, tirada hoje ao final da tarde.

3 de junho de 2007

CONCLUINDO A FEIRA...

Há sempre um lado bom nestas coisas das sessões de autógrafos: o de encontrarmos cara-a-cara alguns dos nossos leitores.
Para os que passaram pela minha banca de acarajés de papel, o meu obrigado. Pela simpatia e pelos votos de encorajamento.
Todo o livro tem duas faces, a de quem o escreve e a de quem o lê. E quando ambas se cruzam, é muito enriquecedor.

1 de junho de 2007

SOVIET

Uma das coisas que eu adoro na net é a iconografia. Tropeçamos constantemente em imagens de que não estávamos à procura e que acrescentam alguma coisa ao que sabemos.
Da Rússia, por exemplo, é só surpresas.

SER PORTUGUÊS (HOMENAGEM À INGENUIDADE BONDOSA DE TEIXEIRA DE PASCOAES)

Ser português em Portugal é como ser pai de uma criança estúpida. Amamo-la na mesma, daríamos tudo por ela. Mas temos pena.
UM O'NEILL PARA ACORDAR:


"FIM DE SEMANA

Estirado na areia, a olhar o azul,
ainda me treme o parvalhão do corpo,
do que houve que fazer para ganhar o nosso,
do que houve que esburgar para limpar o osso,
do que houve que descer para alcançar o céu,
já não digo esse de Vossa Reverência,
mas este onde estou, de azul e areia,
para onde, aos milhares nos abalançamos,
como quem, às pressas, o corpo semeia."

in Poesias Completas (Assírio)

30 de maio de 2007

FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

Estive eu para aqui a falar da de Évora... Deixa estar que a de Lisboa... Enfim.
Meia-dúzia de pavilhões pingados pelo parque acima. Por todo lado os "livros da crise", isto é, coisas generalistas que tentam manter as editoras à tona. O que está a ser difícil.

Pediram-me do Expresso que visitasse a feira e comprasse algumas coisas. Não soube o que comprar. Nem bem para quê,numa altura em que o dinheiro falta nas mesas de tanta gente.
Opto por comprar livros para os outros. Alguns infantis, para oferecer a instituições que acolhem e protegem putos com pouca sorte. As Obras Completas do Alexandre O'Neill, para uma miúda que tem mais sorte que os miúdos referidos anteriormente. E pouco mais. Num dos pavilhões encontro um uns diálogos de Platão, sobre a Beleza, que compro para oferecer aos amigos do C.E.M., que reflectem todos os dias sobre estas questões e que estão sempr disponíveis para dar e escutar.
Este ano não há o pavilhão faraónico no alto do parque. Houve menos uma casa comprada no Algarve com o cachet do arquitecto... Mas ainda assim faz falta um sítio digno para que escritores e público se encontrem. Bom, há lá uma tenda...



Embora não esteja a passar constantemente em rodapé na RTPn, vou estar sentadinho na feira, no sábado, dia 2. Às 17h, creio... Estão convidados para os dois dedos de conversa. Não é obrigatório comprar nada.

29 de maio de 2007

PORQUE VOU ADERIR À GREVE GERAL

Hoje vi no quadro electrónico do Metro que amanhã ainda trabalham menos. Nos telejornais, os sindicalistas também estão com os olhos brilhantes: "G-R-E-V-E...G-E-R-A-L". Há quanto tempo não os via assim.
De maneira que resolvi aderir.

Agora, tenho de encontrar é razões. Vejamos:

"Não quero perder os privilégios adquiridos".
Este não dá, porque enquanto trabalhador liberal,não tenho nada adquirido. Todos os dias tenho de me levantar para adquirir.

"A mobilidade não é para mim. Quero continuar a ir todos os dias para o mesmo sítio, ainda que não sirva para nada o que lá vou fazer".
Ando por ano, muitas centenas de quilómetros, a dar cursos aqui, a organizar coisas ali. Vou aonde me querem, sem pensar muito. Porque o banco que tem a hipoteca da minha casa, tem sede fixa e sabe onde me penhorar se não conseguir pagar. Mas calculo que seja chato encarar que as pessoas é que servem as funções e não o contrário.

"A queda urgente deste governo e substituição por um da minha cor política"...
Bom, como não tenho qualquer confiança nos partidos, tanto se me dá que esteja lá o PS, como o PSD. Se bem que no caso do primeiro, apesar da actual performance da ministra e do secretário, uma pessoa ainda tem alguma esperança que a Cultura avance. Com a direita no poder, já se sabe que as trevas baixarão de argolas nas orelhas sobre nós.

"Quero ter a certeza de que nunca serei despedido, mesmo que o meu lugar não faça nada e que a minha incompetência brade aos céus".
Esta gostava :) Sobretudo, pelo último ponto. Infelizmente, todas as minhas contratações assentam na minha competência e esforço. No dia em que eu me deitar, bem posso prepar-me para a fominha, que ninguém me dará dinheiro sem trabalhar.

"Tomei consciência de que não tenho um tostão e não consigo conviver com esta dura realidade".
Pois. Já passei por isso. Vivo com menos dinheiro do que vivi nos últimos 20 anos. Mas é o que há. E descobri que se não usar os cartões de crédito à maluca, sou capaz de chegar ao fim do mês. Mas também tenho saudades dos tempos em que Guterres e Barroso nos mentiam.

Está difícil encontrar razões para a greve. A não ser... Já sei.

Amanhã faço greve porque também quero viver no reino do faz-de-conta.

24 de maio de 2007

RUAS ERMAS SOB UM CÉU COR DE VIOLETAS ROXAS

Por nunca me terem dito, ou sequer ouvido falar, só hoje descobri que existe uma feira do livro em Évora. Mesmo nunca tendo sido convidado, continuo interessado em saber o que se passa na minha cidade de origem. Pelo que vi do programa, não faltarão bonecreiros, gigantones e cante alentejano enrolado com guitarra caipira, mostrando que a visão cultural do ano 1975 continua viva (e os programadores devem ser os mesmos). E, presumo que por influência da Biblioteca de Beja, emblemática neste trabalho, a população poderá ouvir quase todos dias, contadores de histórias.Pagos, acredita-se.
Só não vi a indicação da presença de nenhum escritor. Mas se calhar, não usam. Talvez esta feira se subordine à ideia que há um escritor em cada tocador de bombo. E um poeta em cada sindicalista que atravesse a cidade numa 4L.

ps: pelos comentários abaixo se vê que era mesmo distracção minha.
... Claro que ao procurar as notícias relativas à feira deste ano não encontrei NENHUMA referência aos escritores presentes. Peço desculpa aos amigos, mas vai a dar no mesmo. Uma feira do livro faz-se porque há pessoas que os escreveram e pessoas que os leram, querem ler mais e, em muitos casos, partilhar as suas ideias entre si. Uma feira do livro não é um mini-preço de folhas impressas. Existe porque alguém teve uma ideia, se sentou num lugar qualquer e a escreveu. E voltou a escrever. Até que a coisa se prontificou a entrar no percurso do combatente que é a publicação. Os escritores existem. E, enquanto leitor, acho que lhes devemos respeito. O respeito necessário para ao menos, teclar os nomes dos mais generosos que ali estarão de borla a justificar a existência da coisa.
Chamem-lhe excesso de zelo, se quiserem.

23 de maio de 2007

DEPRESSING PARK

Estava mesmo a fazer falta, a abertura de um parque temático, em Inglaterra, à volta dos temas de Charles Dickens. Segundo a imprensa, "Dickens World é um novo complexo, inovador, no qual se investiram cem milhões de euros, à volta da vida, livros e época de um mais amados autores britânicos, Charles Dickens (1812-1870)."
Como é sabido, ler este autor é tão animado e saudável como alguém deitar-se na av. 24 de Julho, a pensar, numa sexta-feira à noite. Não só faz doer, como causa danos permanentes.
Quem ficou satifeito foi o grupo dos realizadores portugueses. João M. Grilo terá dito (pensa-se que o murmúrio equivaleria a isso... Quem quiser meter a mão no fogo que avance): "Ora até que enfim, um sítio para uma pessoa passar um bom bocado."
Uma fatia dos alunos da Escola de Cinema também já estará a organizar uma viagem de Finalistas ao referido parque. Em opção ponderam a hipótese de uma grande festa onde todos cortariam os pulsos lentamente, guinchando como um exótico marsupial da Papuásia de nome impronunciável.
O ICA(M) preocupado com a necessidade de se aprovar apenas filmes onde ninguém meta os pés, também gostou, podendo vir mesmo a acrescentar uma notazinha no anúncio dos concursos chamando a atenção dos candidatos aos apoios para filmes sobre as vantagens de se copiar a depressing mood para ter possibilidades em futuros concursos.
Mais informações aqui.


O mais animado que se conseguiu até hoje foi isto. E com cantoria!

22 de maio de 2007

SOBE SOBE BALÃO SOBE

Bastava ver as suas declarações ocas à frente da neo-pide portuguesa, ou ver a forma meteórica como saltou no último ano de tacho em tacho, para se saber que ele acabaria em ministro.O Tribunal Constitucional já dava um dinheirinho chorudo, mas as perspectivas de carreira que se abrem como novo Ministro da Administração Interna, quando sair ( e a sua cabeça já estará nisso, de certeza) são muito superiores.
A ambição e o despudor dos políticos portugueses deve ser das mais competitivas do mundo.
Vá lá,uma coisa em que estamos à frente.
PENSEM BEM

A Lusa divulgou um inquérito da Comissão Europeia, segundo o qual: "Nove em cada 10 portugueses apoiam a proibição de fumar em espaços públicos fechados, com uma clara maioria a defender a que a interdição abranja restaurantes e mesmo bares, revela um estudo divulgado hoje pela Comissão Europeia (...)
De acordo com o estudo, 92 por cento dos portugueses apoiam a proibição de fumar nos escritórios e outros locais de trabalho fechados, e 91 por cento defendem a interdição de fumo em todos os espaços públicos fechados, como metro, aeroportos e lojas (a média comunitária em ambos os casos é de 88 por cento de apoio)."
Ainda assim... Acho que se devia pensar muito bem, ouvir os comentadores da sic que apelidam esta medida de "nazi" e "persecutória". Sobretudo, porque o mesmo inquérito revela que Portugal é o país da Europa onde "menos fumadores deixaram o cigarro de lado (12 por cento, tal como Chipre, contra 21 por cento da média comunitária (...) Os fumadores portugueses - um em cada quatro inquiridos (24 por cento, quando na União a média é 32 por cento) - são dos que fumam mais já que a esmagadora maioria (97 por cento) fá-lo todos os dias, e 38 por cento fumam mais de um maço de cigarros por dia (sendo a média comunitária de 26 por cento)."
Ao ler estes resultados, algumas pessoas pensariam até que se está a falar de uma dependência química, como a cocaína... Podendo até haver médicos e investigadores conhecidos a insinuar (de forma nazi e persecutória, claro) que a nicotina actua exactamente nas mesmas zonas do cérebro que o referido opiáceo.

Juntar assim, a dependência dos opinion makers e a perda de receitas (que será brutal) nos impostos é, de facto, de assustar qualquer governante.

20 de maio de 2007


ESTATÍSTICA FAMILIAR


O Instituto Nacional de Estatística divulgou que "83,7 por cento da população empregada, com pelo menos um filho ou dependente a quem prestem cuidados, diz que não deseja alterar a sua vida profissional para poder dedicar mais tempo a cuidar deles. Os que admitem desejar trabalhar menos para conseguir aquele objectivo representam apenas 13,4 por cento. A percentagem de mulheres nesta situação mais do que duplica a dos homens (18,8 por cento contra 8,1)."
Interessante.
Também ficámos a saber que em matéria de aquisição de electrónica para o lar, os portugueses estão mais motivados para se continuarem a apetrechar.
Normal.
É por isso que as escolas são cada vez mais obrigadas a alargar o tempo em que os miúdos ficam lá presos. Entretidos, claro, com a net e dvds de blockbusters.
Pessoalmente, fiz uma pequena busca na net e encontrei estes artefactos que talvez possam ajudar ainda mais a resolver o problema da liberdade dos pais.





19 de maio de 2007

PRÉMIO TEXTO IMBECIL

Vai para este artigo de opinião, no DN. É claro que é isso mesmo. Pena que venha caucionado com o título académico de um "especialista em biotecnologia". Bio-miopia, diria antes. Só quem não passou pela angústia de tentar justificar diante de um desconhecido, na ocorrência um juiz que se está nas tintas, as razões pelas quais este casamento não pode prosseguir, é que pode ser contra.
O artigo é este.

ps: O Dn tornou-se o refúgio da opinião dos maiores medíocres deste país. As colunas são cada tiro, cada melro. Bom, por um lado poupa-se, não o comprando...
TOP FESTIVAIS

Pela primeira vez, o ICAM controlou electronicamente as bilheteiras dos festivais divulgando os números reais de espectadores e as receitas de bilheteira. Como se esperava, a verdade dos factos alterou imediatamente o que a opinião pública era levada a achar.
Assim, o INDIELISBOA é, oficialmente, o festival com o maior número de espectadores (35.454, antes das extensões nos vários locais do país, e sem contar as inúmeras actividades paralelas), maior número de sessões (265), de filmes exibidos (226) e de salas (9). E, consequentemente, com uma receita de bilheteira 40% superior ao do segundo classificado, o Fantasporto. Este festival que apesar de nos últimos anos apresentar uma programação cada vez mais fraca, conseguiu, ainda assim, resultados que o colocam à frente dos festivais que se realizam no resto do país. Assim, os números são: 130 sessões, 2 salas de exibição, 184 filmes e 34.529 espectares. Para os 100.000 a que a organização se propunha, esteve um pouco aquém. Ainda assim um bom resultado.
Termina aqui, a época das declarações fantasiosas de números de espectadores (ainda não há muito que o Fantas lançava o fantástico número de 450.000 pessoas que teriam assistido- pressupõe-se que aos ombros umas das outras, uma vez que a soma de todos os lugares disponíveis corresponderia a um terço dessa conta...).

Algumas pessoas vão como de costume transformar isto numa batalha norte-sul. Mas para mim, que acompanhei de perto a honestidade (às vezes excessiva, no meu entender) da pequena equipa do Indie, em trabalhar com o máximo rigor, declarando apenas os números comprováveis, trata-se apenas de um valor que o Norte- e bem- muito preza: o trabalho árduo e honesto.

Ps: Vai ser interessante ver a justificação do júri do concurso dos festivais para tentar manter o dobro do apoio financeiro, como até agora, ao segundo festival.

Ps2, com apenas pouco mais de 4000 espectadores (em 8 dias de exibição), o CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS teve um ano inglório, ficando fora do próximo programa de apoio.

ps3: mais importante que isto seria chamar a atenção para outros festivais onde a programação é bastante mais interessante, como o caso do IMAGO, na beira-interior. Este evento mereceria uma maior adesão de público.

17 de maio de 2007

OLÉ, DINHEIRINHO!

Lá vou ter que despachar o trabalho, para ir à manif contra as touradas em Portugal.
A argumentação que pagar para ver espetar ferros em animais e aplaudir quando eles se torcem de dor é um direito legítimo e um divertimento inocente deixou de fazer sentido para mim. As associações de criadores de gado e organização destes eventos contestam que é um dos espectáculos mais lucrativos em Portugal e que muita gente gosta de pagar para ver o sangue a ser derramado.
Acredito, mas lembro que a Idade Média acabou há séculos. Por isso, enquanto cidadão, vou estar do lado de fora da praça a mostrar a minha discordância.
Hoje, quinta-feira, 19 h, frente à praça do Campo Pequeno.
A FAMÍLIA DO MOURINHO

Queriam levar a cadela ao homem, para a pôr de quarentena. Mas o mister não esteve pelos ajustes e lá veio da festa onde estava para se opôr a este grave problema. Embora a culpa fosse dele que não tinha tratado das vacinas do bicho. Claro que como isto não foi cá, o polícia em vez de baixar a grimpa e dizer "Com certeza, sr. Morinho... Ora essa, então uma cadelita... E ainda mais tratanto-se de um bicho de estimação, pertencendo a uma pessoa que não se pode dar com vírus... Claro que temos este problema do regulamento... Mas, se o senhor me garantir que o bichinho não tem doenças... Garante? Então, prontos! Assine-me só aqui e se alguém perguntar (aqui piscava o olho) diga que teve de me mostrar o boletim de vacinas e que afinal estava tudo em ordem... (e ao pé da porta)..Gosta muito de levar o meu sobrinho ao jogo na próxima semana... Mas como a vida está... Arranja-me um bilhete? Oh, sr. Mourinho, o senhor é melhor que o doutor Salazar que Deus tem!" - em vez disso, dizia eu, deu-lhe foi ordem de prisão e mandou-o discutir com o juiz.
Para ser sincero,a parte que mais gostei da notícia publicada foi esta: "No meio da confusão entre Mourinho e a polícia, a cadela terá fugido". E esta:
"José Mourinho reagiu, já hoje, numa conferência de imprensa realizada no centro de estágio do Chelsea, afirmando que só se importa com a família, que está, para ele, num plano muito acima do futebol.
"No futebol nada me magoa (...)O que me magoou foi o que aconteceu ontem à minha família. A minha família é o mais importante", disse Mourinho."
AUFFFF!